segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pré-sal da Bacia de Santos vai receber mais de 25% dos investimentos da Petrobras até 2015



Rio de Janeiro - Dos US$ 224,7 bilhões que a Petrobras investirá nos próximos cinco anos, US$ 53,4 bilhões serão destinados ao pré-sal da Bacia de Santos, segundo o Plano de Negócios 2011-2015, aprovado na última sexta-feira (22) pelo Conselho de Administração da estatal. O volume supera os US$ 33 bilhões previstos no plano anterior, do quinquênio 2010-2014, mas ainda é inferior aos US$ 64,3 bilhões que a estatal destinará no período à região do pós-sal, principalmente à Bacia de Campos, a maior bacia petrolífera do país e que responde por mais de 80% de toda a produção nacional, da ordem de 2 milhões de barris por dia.

O novo plano de negócios da estatal, detalhado hoje (25) pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, prevê que os investimentos na área de exploração e produção totalizarão, nos próximos cinco anos, US$ 117,7 bilhões, dos quais 65% serão destinados ao desenvolvimento da produção, 18% à área de exploração e 17% ao setor de infraestrutura.

O volume significará investimento anual superior a US$ 4 bilhões somente em exploração, enquanto US$ 12,4 bilhões serão destinados às áreas da cessão onerosa, usada pelo governo para capitalizar a estatal. Na avaliação de José Sergio Gabrielli, a produção da Petrobras no pré-sal em 2015 deverá atingir 543 mil barris por dia, com a cessão onerosa respondendo por 13 mil barris por dia. Este volume saltará para 845 mil barris por dia até 2020, quando a estatal espera produzir, somente nos campos do pré-sal, 1,148 milhão de barris de petróleo por dia.

As projeções da Petrobras indicam, por outro lado, que a companhia produzirá 3,993 milhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás) por dia em 2015, dos quais 3 milhões somente de petróleo. Já em 2020, Gabrielli avaliou que a companhia deve extrair 4,91 milhões de barris de petróleo por dia.

terça-feira, 19 de julho de 2011


Petróleo da BP continua “preso” no fundo do mar




Milhões de barris de petróleo que vazaram da plataforma da BP no Golfo do México continuam presos no fundo do oceano, alerta um especialista da Suíça.

Samuel Arey, químico ambiental da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), realizou pesquisas sobre o comportamento do petróleo e do gás que vazaram nas profundezas do Golfo do México.

Onze trabalhadores da plataforma morreram no acidente de 20 de abril de 2010 e o governo dos EUA estima que cerca de 206 milhões de galões de óleo vazaram a 1.600 metros abaixo da superfície do mar. O vazamento levou três meses para ser tapado e foi pior da história dos EUA.

Arey e pesquisadores do Instituto Oceanográfico Woods Hole de Massachusetts, nos Estados Unidos, usaram um aparelho teleguiado para coletar amostras em junho de 2010 a partir da base da plataforma. Assim como o bruto derramado na superfície, eles analisaram uma imensa língua a 1.100 metros abaixo da superfície que se deslocava horizontalmente.

A pesquisa foi publicada na última edição online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

swissinfo.ch: Quais são as principais conclusões de sua pesquisa?
Samuel Arey: Como o petróleo e o gás sobem para a superfície, algumas substâncias são conservadas no fundo do mar por se dissolverem rapidamente na água.

Isso é diferente de um derramamento de óleo convencional, que normalmente acontece na superfície do mar. Quando isso acontece à luz, componentes voláteis, tais como os gases metano, etano e propano, mas também os hidrocarbonetos leves, como benzeno, tolueno ou xileno, tipicamente escapam rapidamente para a atmosfera.

Mas, no caso de um vazamento em águas profundas, essas substâncias não têm esta opção. Primeiro, elas são expostas à coluna d’água por muitas horas e isso permite que uma quantidade significativa de compostos seja dissolvida e retida no fundo do oceano.

Quando pensamos em aplicar os conhecimentos convencionais sobre vazamentos de petróleo e os danos ecológicos, precisamos reconhecer que há um impacto novo que precisa ser levado em conta.

swissinfo.ch: ainda há incerteza sobre o destino do óleo. Alguns cientistas dizem que até 50% ainda pode estar flutuando por aí abaixo da superfície. Quais são os seus números?

SA: Eu não sei. Uma fração significativa de óleo está presa no fundo do oceano, mas eu não sou capaz de dar um número. O estudo publicado agora irá fornecer uma base importante para podermos estimar adequadamente, em seguida, a quantidade que foi mantida.
Samuel Arey (epfl.ch)
swissinfo.ch: Será que o processo natural de intemperismo, atividade microbial e eventual evaporação, podem dissolver os resíduos de petróleo?

SA: Cada componente precisa de um determinado tempo. Alguns componentes podem ser degradados por micróbios em alguns dias, semanas ou meses, como o metano ou etano. Outros podem levar muitos anos ou mesmo décadas.

Mas, como este vazamento foi tão profundo, eu suspeito que normalmente ele não chegue à atmosfera. O tempo de transporte da água naquela profundidade para chegar à superfície é provável que seja da ordem de muitos anos, assim não é provável que a evaporação será um processo significativo.

Se o petróleo pousar em sedimentos subaquáticos pode ficar preso indefinidamente. Pode-se argumentar que a sua relevância ambiental é limitada aos organismos do sedimento no fundo do mar, mas temos experiência de derramamentos de óleo na superfície do mar que atingiram a costa, ficando enterrados em sedimentos, e que ainda se encontravam lá, relativamente fresco, 50 anos mais tarde.

Esse tipo de processo pode preservar o petróleo durante um longo tempo e continua tendo impacto ecológico sobre os organismos que vivem nesta parte do ecossistema.

swissinfo.ch: Cerca de dois milhões de galões de dissolvente foram usados para diluir o petróleo, incluindo abaixo da superfície. Tais produtos poderiam ter causado danos permanentes?

SA: Eu acho que o júri ainda não abordou essa questão. É difícil dizer de maneira geral se os dissolventes diminuem ou aumentam o impacto ambiental. Há argumentos de ambos os lados, mas nenhum me convenceu.

swissinfo.ch: Quais são as principais lições aprendidas com sua pesquisa?

SA: Eu acho que a lição mais importante é que a exploração de petróleo em alto-mar comporta riscos consideráveis que vão muito além das estimativas feitas pelas companhias que exploram esse filão. Isso continuará sendo um problema nos próximos anos à medida que aumenta a pressão para desenvolver essas zonas de perfuração.


Gabrielli e Machado em rota de colisão


O petista José Sérgio Gabrielli e o peemedebista Sérgio Machado andam se estranhando.
O motivo é a recente criação da empresa Sete Brasil (Sete BR), uma sociedade que além da Petrobras, — presidida por Gabrielli — tem como sócios os bancos Santander, Bradesco, BTG Pactual, Caixa, os fundos de pensão Previ, Petros, Funcef, Valia e a Lakeshore Financial Partners Participações.
A Sete BR foi criada para assumir junto com o Estaleiro Atlântico Sul, de Suape, a construção de sete sondas de perfuração para os poços do pré-sal que devem começar a operar em 2015.
É aí que entra o descontentamento de Sérgio Machado, um ex-tucano cearense.
Desde 2003, ele comanda a Transpetro, braço logístico da Petrobras encarregado de gerir o Programa de Modernização e Expansão da Frota, o Promef, cuja meta é encomendar 49 navios para o pré-sal a serem fabricados no Brasil.
Mas enquanto as encomendas feitas pela Transpetro, que é uma subsidiária da Petrobras, entram na coluna de endividamento da estatal petroleira, isso não acontece com a Sete BR.
Com a nova empresa, a Petrobras aluga as sondas, sem aumentar seus gastos, já altos em função dos investimentos para o pré-sal.
Se depender de Gabrielli, a Sete BR terá um papel crescente nos investimentos logísticos da Petrobras.
Logo, a queda de braço dele com Machado é para saber quem vai tomar conta dessas encomendas bilionárias.

segunda-feira, 18 de julho de 2011


Teste da OGX em poço de Pipeline aponta capacidade de 10 mil bp


A OGX Petróleo e Gás concluiu a perfuração do poço horizontal de Pipeline, da bacia de Campos, e o teste de formação indicou a capacidade de produção em torno de 10 mil barris por dia, informou nesta sexta-feira a companhia em comunicado ao órgão regulador.

O teste no poço 9-OGX-39HP-RJS identificou condições "muito boas" no reservatório, com óleo de aproximadamente 19 graus API, apontou o documento.

"Esse foi o terceiro teste em poço horizontal com resultados expressivos, o que vem a confirmar a qualidade das acumulações até agora descobertas e em delimitação (...)", comentou Paulo Mendonça, diretor geral e de Exploração da OGX no comunicado.

A companhia informou que o poço OGX-39 foi perfurado horizontalmente por mais de 1.000 metros em reservatórios carbonáticos da seção albiana da acumulação de Pipeline, originalmente descoberta pelo poço 1-OGX-2A-RJS em novembro de 2009.

Os resultados, segundo a companhia, "além de confirmarem a extensão da acumulação de Pipeline, apresentaram alta correlação com outros poços...".

As ações da OGX operavam em alta de 0,8 por cento, enquanto o Ibovespa subia 0,5 por cento, por volta das 10h15.


Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo


O boletim estatístico anual da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) diz que as reservas comprovadas de petróleo da Venezuela ultrapassaram as da Arábia Saudita em 2010 e se tornaram as maiores do mundo. Segundo a Opep, as reservas comprovadas de petróleo da Venezuela alcançaram 296,5 bilhões de barris no ano passado, com crescimento de 40,4% no ano, enquanto as reservas sauditas ficaram em 264,5 bilhões de barris.

No longo prazo, essa mudança, ao lado do crescimento das reservas de Irã e Iraque, dá mais poder dentro da Opep para países membros que defendem preços altos. As reservas do Iraque tiveram um crescimento de 24,4% em 2010, para 143,1 bilhões de barris, e as do Irã cresceram 10,3%, para 151,2 bilhões de barris.

Segundo a Opep, as reservas de petróleo bruto de todos os países membros totalizavam 1,193 trilhão de barris no fim de 2010, com um crescimento de 12,1% em relação ao ano anterior; isso era o equivalente a 81,3% das reservas mundiais comprovadas, de 79,6% no fim de 2009.

Os dados da Opep em geral confirmam números fornecidos no começo do ano pelos países membros.

Analistas têm dúvidas sobre se as adições às reservas venezuelanas têm viabilidade econômica, já que a maior parte é de petróleo pesado e extrapesado da Bacia do Orinoco, cuja extração é considerada mais difícil e mais cara. As estatísticas venezuelanas, que anteriormente eram controvertidas, agora são consideradas mais confiáveis, depois de a Agência Internacional de Energias (AIE, da ONU) revisar seus critérios de cálculo, no mês passado.

Os dados da Opep também confirmam as declarações do governo do Irã, de que as sanções econômicas impostas pelos EUA e por seus aliados não estão prejudicando o desenvolvimento de sua indústria de petróleo e gás. Segundo a Opep, as exportações iranianas de petróleo para a Europa tiveram um crescimento de 34,5% em 2010, para a média de 764 mil barris por dia; as exportações iranianas tiveram um crescimento global de apenas 0,7%, já que as vendas para a região da Ásia e do Pacífico tiveram uma queda de 11%. Já as reservas iranianas de gás natural tiveram um crescimento de 11,8% no ano passado, enquanto suas exportações de gás cresceram 48,7%.

O valor total das exportações de petróleo dos países membros da Opep alcançou US$ 745,1 bilhões em 2010, com um crescimento de 27,2% em relação ao ano anterior. O Produto Interno Bruto (PIB) agregado dos países da Opep alcançou US$ 2,325 trilhões em 2010, com um crescimento de 11,2%. As informações são da Dow Jones.